BRITES Acidente marítimo muito grave

Embarcação: BRITES

Registo GAMA: 2014-079

Data da ocorrência acidental: 20-03-2014

Circulado em: 03-11-2014

Homologado em: 03-12-2014

Tipo de Acidente: Loss of control (total or partial) of machine, means of transport or handling equipment, handheld tool, object, animal - Loss of control (total or partial) - of animal

Sumário

Em 20 de março de 2014, durante a manobra final de recolha da rede a bordo do arrastão BRITES, ao largo da Noruega, um cabo de aço do aparelho de pesca partiu-se. O chicote do cabo atingiu um tripulante na zona do joelho e provocou a amputação traumática de uma perna. A tripulação prestou primeiros socorros e solicitou evacuação médica, mas as condições meteoceanográficas impediram a retirada atempada da vítima, que morreu a bordo cerca de cinco horas e quarenta e cinco minutos depois. O cabo partido não foi preservado para exame. A investigação concluiu que o cabo de 18,1 mm estava subdimensionado para o sistema e que o tambor enrolador não possuía proteção contra a projeção do chicote.

Recomendações de segurança

 SR01-2014/079, à Sociedade de Pesca Novo Horizonte, Lda.:

 
Avaliar a instalação de cabos de aço com características que assegurem cargas nominais de rotura não inferiores a 40 toneladas, com base numa análise documentada do dimensionamento, construção e diâmetro de todos os cabos de aço que integram o aparelho de pesca de cada embarcação.

SR02-2014/079, à mesma empresa:

Avaliar a instalação, no tambor enrolador, de uma proteção e de um dispositivo de travagem ativa que elimine ou reduza a energia cinética de rotação e a projeção do chicote do cabo de aço após a sua rotura, bem como a implementação de um sistema de sinalização das zonas perigosas a bordo das embarcações da frota.

 

Lições aprendidas

Os cabos de aço devem ser dimensionados com base na totalidade das cargas, atritos, ângulos de deflexão, tambores e roldanas, e não apenas por prática empírica os diâmetros dos cabos e das golas das roldanas devem ser compatíveis para evitar deformação e danos internos os tambores devem possuir proteção ou travagem que limite a projeção de um chicote após a rutura as zonas de possível impacto devem estar identificadas e desocupadas os componentes que falham devem ser preservados para exame técnico o plano de emergência deve considerar a possibilidade de evacuação médica não imediata em áreas remotas.